Aaatchim!
Ou o que acontece quando dois ansiosos decidem se mudar.
Oi pessoal!
Alergia batendo forte aqui… Aparentemente, esvaziar os armários que você não tocava há meses tende a levantar um pouco de pó.
Resolvi escrever na sala pra variar, mas não na mesa: de dois dias para cá, ela ficou camuflada entre caixas, plástico-bolha, jornais, caixas de ovos (que achamos que seriam úteis, mas até agora nada), rolos de fita, coisas-que-ainda-não-podemos-guardar e objetos randômicos que não encontraram lugar.
Acho que uns 50% das coisas guardáveis já estão em caixas: livros e quadrinhos (7 caixas deles), bonecos, enfeites, discos, vidros em geral (deixamos duas taças de plástico pra segurar até o Ano Novo), quadros, algumas xícaras e talheres... Ainda falta muito, mas também faltam três semanas. Talvez a gente tenha se antecipado um pouco?
A ficha
Uma hora ela cai, né? E esta semana, depois de encher as primeiras caixas e sentir o primeiro baque de querer usar algo banal que já estava guardado (um estilete, copos…), a ficha da mudança caiu. Em 2023, a gente não vai mais morar neste apartamento. A gente vai começar o ano sem saber os nomes dos vizinhos, sem conhecer direito todos os cantos da casa, e vai acordar nos primeiros dias olhando para um teto estranho. Talvez a gente erre a porta do banheiro na madrugada, ou procure um interruptor onde não existe. Talvez a gente se acostume em uma semana.
Será que a gente vai sentir saudades? Nem sei. Foram oito anos muito bons neste cantinho e neste bairro, mas foi um ciclo que se fechou. Foi quase uma vida inteira na mesma zona da cidade, mas talvez isso também já tenha tido o seu tempo, se tornado familiar demais. Mudar dá medo? Às vezes dá. Duas noites atrás, deu muito. E se a gente cometer os mesmos erros num lugar diferente?
Mas hoje acordei curiosa. O que será que nos aguarda do lado de lá? E será que a cama vai caber no elevador??
Margot
Lembram da Margot? Pois, acreditem ou não, esta semana pensei muito nela. Não escrevi nenhuma nova cena (shame on me), mas reli as antigas e reforcei o quanto eu gosto delas (sério, seria um desperdício não publicar aquilo um dia). Também encontrei um personagem real com um nome maravilhoso e uma história inspiradora, preenchi páginas e páginas de anotações e tive longas conversas de brainstorming com o Gabriel (que sofreu visivelmente com o quão longe a minha cabeça foi). E voei mesmo, viajei em vilões, fugi bastante da história principal, mas voltei a habitar aquele universo fantástico, puxando um pouco mais para o horror que estava faltando. Se vou aproveitar muito ou pouco dessas ideias? Não sei, mas vou tentar retomar o embalo nos próximos dias. Torçam por mim!
O ano da dor no pescoço
Será que o pescoço simboliza alguma coisa mais profunda ou é só postura mesmo? Este ano, o meu quis ser o centro das atenções. Por conta dele, mudei meu esquema de trabalho para um notebook elevado, com teclado à parte e mouse. Me senti de volta aos anos 2000 e só faltou aquela gavetinha retrátil pro teclado que toda escrivaninha tinha!
Recomendo a mudança, aliás, pra quem escreve muito ou passa tempo demais no computador. Vou trocar tudo ainda – um note maior, um teclado maior, um suporte que não dependa de dois livros grossos – mas isso, agora, só na casa nova.
Queimados vivos
Vocês ainda lembram da Copa do Mundo? Enquanto torciam (ou xingavam), repararam naqueles jogadores mascarados da Coreia e da Croácia que pareciam saídos de um spin-off de Cinquenta Tons de Cinza?
Mais do que estranhar o preto do acessório se mesclando à barba do croata e formando uma fantasia tenebrosa do Jason, fiquei meio incomodada com o sentido daquilo. Soube que um deles tinha uma fratura na cavidade ocular; o outro, uma lesão no nariz. As máscaras eram pra proteção. Oi?
Só eu acho meio absurdo que a gente espere que um cara com uma lesão na cara, um tornozelo inchado, um joelho machucado, finja que não tem nada acontecendo com seu corpo e jogue futebol? Que ele se lesione hoje, em jogo, e, no lugar de uma indenização ou licença médica, volte na semana que vem pra disputar uma quarta de final?
Posso estar mais redondamente enganada do que aquela bola nos pênaltis do Brasil, mas essas máscaras (e o gesso do Neymar) me fizeram pensar no quanto estamos sugando uns aos outros até a última gota, sacrificando nossos corpos e segurança em nome de um espetáculo, uma vitória, um resultado. É parte do trabalho? Jogar, sim. Jogar quando deveria estar em repouso? Sei lá.
Mas extrapolemos o gramado: quantos burnouts vocês testemunharam ou ouviram falar nos últimos dois ou três anos? Por aqui, foi uma epidemia. No meio do Gab, o audiovidual, foi um caos. Desde que as atividades voltaram após a quarentena, não passou uma semana sem alguém decidir que chegou ao limite. Que queimou o último pedacinho de barbante da sua vela e que ou largava tudo, ou surtava. E aí? A regra é remendar e continuar queimando até não sobrar mais cera também?
Curtinhas
Assistimos ao novo Pinocchio, do Guillermo del Toro, e é uma lindeza só, apesar de ser uma história que nem eu nem o Gab gostamos. O que eu mais recomendo, porém, é o making of, que saiu junto com o filme na Netflix: pra quem ama stop-motion como eu, é de cair o queixo, se apaixonar, e sair querendo construir cenários gigantescos de catedrais por aí. Recomendo demais!
Falando em fechar ciclos, decidi cancelar o domínio do meu blog Caderno Jota e decretar oficialmente o seu fim. Em parte porque gostei mais do Substack, em parte porque o Wordpress tem dado muito bug. Como histórico, o site ainda vai continuar ativo (pelo menos até eu salvar tudo aquilo em algum HD), mas de volta ao endereço antigo: julianavarella.wordpress.com. Pra quem nunca conheceu, ali tem críticas de cinema, crônicas, e até vídeos com notícias culturais de outros tempos.
Eu sigo uns perfis franceses pra praticar, e esses dias cruzei com uma matéria que achei o auge da poesia: uma reflexão sobre o uso da palavra “nuvem” – abstrata, vaga, leve – para nos referirmos ao espaço – físico, pesado, cheio de fios – onde guardamos nossos arquivos na internet. Uma aula de marketing e linguística:
Ainda sobre perfis aleatórios, o que dizer dessa colisão entre galáxias – com uma simulação pareada com imagens reais da NASA casando perfeitamente? Coisa linda: https://www.instagram.com/reel/Cl4eg2kAzW0/?utm_source=ig_web_copy_link
Semana que vem tem retrospectiva, hein? Já enrolei demais!
Acho que por hoje é isso! Obrigada por me acompanhar até aqui =)
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Até a próxima!






Bora p esse novo ciclo!!