Ho Ho Ho
Uma newsletter nada natalina.
Ho Ho Ho, pessoal!
Voltamos à fase dos rascunhos. Esta é a terceira versão de uma newsletter que deveria ter saído bem antes, mas que tentou dar conta de coisas demais. Na primeira, quis fazer uma extensa lista – com comentários extensos – de tudo o que me marcou este ano. Na segunda, tentei quebrar a lista em duas partes, uma com filmes, séries, livros e tal; a outra com eventos mais particulares. Mas não era isso que eu queria falar, sabe?
Quer dizer, eu sei o quanto vocês gostam de dicas, e é sempre interessante relembrar o que o ano trouxe em termos de produções culturais – um conjunto desses fala muito sobre o estado do mundo e o estado de espírito de quem elege certa obras como as “melhores”. Mas, ainda assim… Não era o que eu queria falar.
Minha solução, para agradar um pouquinho a todo mundo, foi tecer uma newsletter como todas as outras – como uma conversa em torno das minhas anotações da semana – e, ao final, incluir a lista de “favoritos do ano” sem muita descrição. Combinado? Vem comigo!
Só isso?
Enquanto reunia material para a minha super-retrospectiva engavetada, criei uma pasta com as principais artes que fiz em 2022. E, preciso dizer, fiquei um pouco desapontada. Para um ano em que eu falei tanto sobre ilustração, explorei tantos perfis de artistas, reuni pastas e mais pastas de referências, pintei uma parede e até ganhei novos materiais, a verdade é que desenhei menos do que imaginava.
O que não deveria surpreender, na verdade: há tempos que não sou verdadeiramente adepta dos sketches e tendo a tratar o desenho como algo que ocupa muito tempo e sempre tem que ficar muito bom. E, apesar de ter colocado como meta desenhar e escrever todos os dias em 2023 (até ganhei um bloquinho específico para isso <3), neste ano eu passei bem longe do ideal.
A mudança tem parte da culpa – há algumas semanas tenho deixado tudo para “depois de mudar”, e a expectativa por ter mais espaço num futuro próximo me fez ter muito menos disposição para me espremer no atual. O que me leva ao próximo tópico:
Pequena, mas espaçosa
Ironias da vida: ano passado, entreguei uma dissertação de Mestrado sobre espaços e distopia, refletindo sobre como a descrição ou construção dos espaços na ficção influencia o “sentimento distópico” no leitor ou espectador, causando estranhamento e mexendo com sua percepção de mundo. Conectei essa ideia com a de que a pandemia tinha feito o mesmo na realidade – alterado nossa relação com os espaços e, por isso, trazido a sensação de estarmos vivendo uma distopia.
Pula pra 2022 e, de repente, percebo o quanto o espaço em que vivi os últimos 8 a 9 anos se tornou insuficiente. Percebo, num dia que passo sozinha em casa, o quanto de espaço eu efetivamente ocupo (se apenas me permitir), e o quanto tenho me encolhido para caber no que temos, sem invadir, sem atrapalhar, sem ocupar demais, sem bagunçar. Percebemos, eu e Gab, o quanto nossos movimentos têm sido contidos e nossas coisas, empilhadas ad infinitum até não as enxergarmos mais.
Exagero? Certamente. Viver num apartamento pequeno é perfeitamente viável, e o fizemos muito bem por todo esse tempo. Mas viver e trabalhar? Aí, está começando a parecer uma distopia mesmo…
Talvez eu seja uma “morning person”
Nessa de tentar descobrir o meu espaço, também tenho pensado muito em tempos. Por conta de trabalhos, estudos, compromissos fora do nosso controle, pra fazer certas coisas junto ou simplesmente encaixar tudo o que precisa em 24 horas, às vezes a gente não pode escolher plenamente nossos horários. Mas sinto que é muito verdade aquela história de que cada pessoa tem seu cronotipo, e produz melhor em certas horas do dia.
Depois de anos de experiência, hoje tenho certeza de que sou mais da manhã do que da noite. Sozinha, acordo quase sempre antes das 7h sem despertador, tomo café em câmera lenta (por isso gosto de levantar com antecedência), me troco e começo a trabalhar assim que dá. Não tiro cochilos após o almoço porque esse é um dos momentos em que estou mais energizada, mas, tristemente, me torno imprestável depois das 19h. Não que eu queira dormir, mas, se não tiver um filme engatilhado ou um livro viciante, corro o risco de passar 3 a 4h rolando o celular, jogando Sudoku ou Paciência.
Não sei se tenho um horário certo pra vida social ou exercícios, mas tendo a pensar que qualquer coisa que não exija pensar pode ficar pra depois das 18h. Na verdade, talvez isso até explique minha apatia pelo jornalismo… Meu curso era noturno, afinal!
Já reconheceu sua rede de apoio hoje?
Pra não dizer que esta news está muito pessoal, trago aqui pra vocês uma fala da Paola Carosella (diva) que ecoou muito comigo esses dias, mas que serve pra todo mundo: “a gente não faz nada sozinho”. Num momento em que estamos mudando para mais um apartamento que “não é nosso”, é importante lembrar que nenhum de nós vive numa bolha, criada por si só e alimentada apenas pelos próprios esforços. Pra ter um empreendimento, mesmo que individual, a gente tem uma rede de apoio. Pra estudar, morar, viver, a gente tem uma rede de apoio. E a gente também é o apoio de alguém, mesmo que às vezes não perceba.
Vídeo da Paola aqui: https://www.instagram.com/reel/CmWS-6EOMut/
Curtinhas (ou nem tanto)
O (Sir) Patrick Stewart começou uma rotina de ler poemas pros seus seguidores durante a pandemia e, há algumas semanas, retomou a prática com uma leitura do clássico natalino “A Christmas Carol”, de Charles Dickens, uma cena por vez. Apenas assistam:
Esta semana, a maravilhosa Maria Helena de Moura Neves se despediu da gente, aos 92 anos. Ícone dos manuais e “dicionários de uso” da gramática da vida real, ela foi minha professora no Mestrado em Letras no Mackenzie, e também foi ela quem fez minha entrevista de admissão (e eu não fazia ideia de com quem estava falando rs). “Professorinha de gramática” no maior estilo, ela me lembrava uma outra professora de português que tive no colégio, também velhinha, também educadora desde sempre, e também apaixonada pelas palavras. A turma, de maioria recém-saída da faculdade, fazia piada com a Maria Helena e tinha um certo “medo” de sua rigidez como professora (ela rendeu ótimas figurinhas), mas eu só ficava babando. Por pouco, não pedi pra ser sua orientanda – só não o fiz porque segui na literatura, não na linguística – mas já fui muito, muito sortuda de ter sido sua aluna.
Numa nota radicalmente diferente, vocês viram o aquário gigante que explodiu? Ele chamava Aquadom, ficava num hotel em Berlim e abrigava 1.500 peixes – alguns foram resgatados pelos bombeiros, mas a maioria acabou morrendo. Aí fica a pergunta: muito lindo, mas não parecia uma má ideia desde o início?
Me surpreendi essa semana ao descobrir que muitos artistas estão protestando contra o hype das imagens geradas por IA (uma inclusive ganhou um prêmio recentemente). E o motivo não é a competição desleal, mas sim o fato de que essas IAs utilizam bancos de imagens de outros artistas para compor as suas, sem consentimento e com fins comerciais, e não dão nenhum tipo de crédito no resultado. Polêmico, não? Veja um dos posts de artistas se posicionando sobre a situação (abra pra ler o texto todo):
Bônus: 22 coisas que eu amei em 2022
Estação Onze - a série da HBO baseada no livro da Emily St. John Mandel.
Box O Castelo Animado - três livros da autora que inspirou Miyazaki.
The Batman - a versão que trouxe Gotham de volta para os góticos.
The Morning Show - a série que eu odiei por algumas horas, depois voltei a amar.
The Ministry for the future - o livro-tijolo que é uma aula sobre mudanças climáticas, política e ética.
Ruptura - será que você quer mesmo “não levar o trabalho para casa”?
Umbrella Academy - um velho preso no corpo de uma criança? Um cara que pode falar com os mortos, mas morre de medo deles? Amo!
Crimes of the Future - nojinho e fascinação pelo Cronenberg mais cronenberguiano de todos. (Tem episódio do Cinefilia sobre ele aqui)
Sandman - Neil Gaiman, volta aqui que eu quero ler tudo seu!!
Andri Snær Magnason - um autor descoberto na Bienal que virou um favorito.
Os Anéis do Poder - Galadriel, Elrond, Durin, Disa? Nem sei qual é o melhor personagem.
Wandinha - o Gab não acredita, mas eu falei q sou a mistura da Wandinha com a Enid. Tipo uns 90% Wandinha, 10% Enid.
Harry’s House - fazia tempo que não ouvia um álbum inteiro, e esse do Harry Styles me surpreendeu!
Essa árvore - que acabou inspirando o quarto da Margot.
A parede da Duda - a primeira parede a gente nunca esquece.
O convite da Liz - feito em parceria com o Gab.
Esse dragão - fico barrigudinho e gigante, e deu muita dó de apagar.
A viagem a Portugal - Viseu e Braga foram nossas favoritas.
Novo look - já cansei do cabelo e quero prender pro verão, mas foi um sucesso enquanto durou. Pra completar, descobri que posso usar brincos de aço sem que a minha orelha vire Mordor. Yey!
Esta news! - tava precisando de um espaço pra escrever com mais liberdade, sem pauta, sem filtros. Tcharam!
Margot - Oficialmente, o projeto começou em 2021, mas pensar no livro ao longo deste ano me levou a lugares criativos que eu não visitava há muito tempo.
Trabalhar com texto - tchau, jornalismo; olá, letras! Este ano, peguei meus primeiros freelas de revisão, transcrição e legendagem, e curti demais cada um deles.
É isso por hoje, pessoal! Espero que todos vocês tenham um Natal delicioso, cheio de pessoas queridas, músicas breguinhas e comidinhas gostosas (daquelas que sobram pra semana inteira).
Obrigada por me acompanharem até aqui! Talvez esta seja a última do ano, talvez não. Vou descobrir na semana que vem. De qualquer forma, voltamos logo!
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Até a próxima!








Eu sei que sou suspeito para falar, afinal eu te amo, mas ver vc crescer tanto nesse 2022, se reconectar e começar esse projeto me enche de orgulho. Continue, pois aguardo ansiosamente tds as suas news =)
Ps: malditos ninjas cortadores de cebola que aparecem quando eu leio... rs